Segunda-feira, 15 de Junho de 2009

Chamo a Atenção para esta triste notícia do Público

Projecto da pianista Maria João Pires
Belgais vai fechar por arresto de bens
15.06.2009 - 18h36 Lusa
O projecto de ensino artístico de Belgais criado pela pianista Maria João Pires, "vai fechar devido a um arresto de bens e à falta de apoios", disse hoje à Agência Lusa uma das responsáveis.

Segundo Joana Pires, filha da pianista e responsável pelo Centro de Estudo das Artes de Belgais, após o encerramento da escola do primeiro ciclo da Mata e do Coro Infantil, "não deve restar nada do projecto de Belgais iniciado pela minha mãe".

Joana Pires revelou que os subsídios do Ministério da Educação (única fonte de financiamento) bem como o mobiliário e instrumentos da escola "estão arrestados".

"Parece-nos ser uma acção movida por quatro ex-funcionários", despedidos a meio do ano, e que, de acordo com Joana Pires, discordam das indemnizações que lhes foram pagas. O valor do arresto ronda "os 78 mil euros", acrescentou.

"Despedimos funcionários para não termos que declarar insolvência a meio do ano. Perdemos patrocinadores e donativos e só lhes podíamos pagar o que o Ministério da Educação nos dava. Ficámos sem o resto do dinheiro que recebíamos", fruto da crise financeira, justificou.

Falta de apoio da autarquia

As tarefas foram redistribuídas por outros cinco trabalhadores, mais dois professores colocados pelo Ministério da Educação e outros dois professores de artes.

A Escola da Mata, perto de Castelo Branco, é frequentada por 40 alunos dos quatro primeiros anos do ensino básico, com os quais são desenvolvidas actividades artísticas e culturais no dia-a-dia. "Não sei para onde vão no futuro", disse Joana Pires.

O Ministério da Educação atribui anualmente 170 mil euros à Associação de Belgais para desenvolver o projecto escolar, referiu.

Aquela responsável lamenta a falta de apoio da Câmara de Castelo Branco, a cujo presidente pediu "apoio moral e uma garantia bancária para desbloquear o problema, negociada da forma que ele quisesse". "Mas o presidente foi gelado e disse que não tinha nada a ver com o assunto", descreveu. "Não somos bem-vindos aqui", referiu.

A Agência Lusa tentou contactar o presidente da Câmara de Castelo Branco, mas tal ainda não foi possível. O Ministério da Educação remeteu um eventual comentário para mais tarde.

Maria João Pires abandonou os cargos directivos do Centro de Estudos das Artes de Belgais depois de uma operação ao coração, em Março de 2006, para colocação de um "bypass".

Na altura, considerou haver uma "grande incompreensão" das autoridades portugueses face ao projecto a que dedicou vários anos.

Domingo, 14 de Junho de 2009

tu fechas

tu fechas,
eu abro!
abro?
em vão tento abrir as portas que fechaste.
empurro, não abre.
a chave não serve!
bato, não abres!
não há frestas,
nem pequenos golpes de luz,
sendo dia!
lá fora...
o sol brilha
e eu encostada à tua porta, fechada!
uma parede fria,
vazia!
uma janela trancada,
calada!
passa a noite,
passa o dia
e aquela porta sombria,
nunca mais se alumia.
passa outra noite,
mais outra
e aquela porta tamanha´,
cresceu para ser uma estranha.
passa um ano,
passa a vida
e aquela porta fechada,
de porta não tinha nada.
era parede...
eu não via!

.


Foto:GAWON

Sexta-feira, 12 de Junho de 2009

Ar(t)es




















algumas plantas têm mãos de pianista
tocam as teclas do vento
sem partitura, de cor,
dando-se ares de artista

Isabel Solano

Terça-feira, 2 de Junho de 2009

escrevem-se palavras

Escrevem-se palavras,
registos de vida,
para assegurar a certeza de reavivar
quando a existência desaparece.
Registamos em palavras
olhares vividos
que nos deram vida
e não queremos deixar morrer.
Mas a chama dum olhar
só é possível viver
quando a sua vida
se derrama no nosso,
e nos faz sorrir
o coração.
.
Autor:http://pacosdagua.blogspot.com/
foto:Rabek

Domingo, 17 de Maio de 2009

O início no fim da rua

Caminhava tentando pisar todas as pedras da calçada. Quando se cruza comigo uma voz: “O fim da crise só acontece com uma grande guerra ou uma ditadura!”. Apesar do chapéu de chuva ainda lhe vi o rosto, desafinado. E não percebi porque disse aquilo. A chuva caía igual para os dois, as pedras da calçada eram as mesmas, ambos segurávamos um chapéu de chuva, ainda que de Invernos diferentes. Seria pelos diferentes inícios da rua?

Também por aqui e aqui

Quinta-feira, 14 de Maio de 2009

Estúdio Raposa vítima de roubo!

Como certamente todos sabem, o Estúdio Raposa, do Luís Gaspar, oferece a todos quantos gostam de poesia e literatura, um trabalho ímpar, quer através da leitura dos trabalhos de diversos autores (consagrados e mais ou menos anónimos), quer através da divulgação, sempre em prol da cultura, sem qualquer lucro.Em solidariedade com o Luís Gaspar
peço a todos que denunciem. Isto é Plágio, Roubo e sem qualificação possível.
Chegou ao meu conhecimento, há dois dias, que uma empresa está a comercializar ringtones (toques de telemóvel) utilizando para o efeito TODOS os programas disponibilizados neste audioblogue. A cobrança do serviço (4 euros por semana) é feita pela Vodafone, TMN e Optimus, pelo que estas empresas são coniventes nesta acção ilegal dado que nunca dei qualquer autorização para que tais trabalhos fossem vendidos fosse de que forma fosse. Nem tal poderia fazer porque também vítimas deste embuste são, naturalmente, todos os autores que me têm cedido os seus trabalhos graciosamente. Na medida das minhas possibilidades estou a tentar travar esta vigarice assim como a responsabilizar os autores por este roubo de propriedade intelectual.Daqui aviso (e peço que passem palavra): não adquiram ringtones a uma firma denominada Polytones ou BeMp3, ou, aliás, a qualquer outra. Pessoa do meu conhecimento que, enganada, subscreveu o serviço, viu, de imediato, ao saldo do seu telemóvel, ser retirado (acção da Vodafone) 8 euros e de ringtone...nada! Cuidado! Trata-se de um embuste!

Segunda-feira, 27 de Abril de 2009

Algumas coisas...


Open4group


Corre faz o gol...

Joga na Internet!

Morri, onde estou...

Joga na Internet!

Bolina Pedófilo atacou...

Joga na Internet!

Transa no edredon...

Joga na Internet!

Respira, olha...

Joga na Internet!

Olhados

Filmados

Fotografados

Viveres imediatos

Joga na Internet!



By Casti
(teiadepalavras)

Quinta-feira, 9 de Abril de 2009

Lagos (Algarve)

Quarta-feira, 8 de Abril de 2009

Lei-In

Um ambiente simples, alguns objectos e móveis sumários, uma mesa de jantar com dois bancos, um bengaleiro, e uma cama de viés a um canto, onde alguém dorme sob os lençóis (ouve-se o seu ressonar, ritmado e persistente).
Um homem escreve a uma mesa, tem várias folhas á frente e dedilha numa calculadora. Entra uma mulher, baixa e obesa, com um espanador na mão e um avental.
- Estou preocupado consigo, o senhor não parece bem.
O homem faz um estalido com a língua, pega nas folhas e agita-as no ar.
- É de matar a cabeça, contas e mais contas, são as mesmas de sempre, mas agora puseram-me em lay-off, trabalho menos e recebo menos, eles dizem que são sessenta e cinco por cento do ordenado, mas, para mim, vai ficar pela metade. Vou ter de fazer alguns cortes, e se calhar vou ter de passar sem si durante uns meses, eu mesmo farei as limpezas e tratarei da roupa.
- Não pense nisso, você é a única pessoa do mundo em regime de lay-off, e farei uma excepção por si. Continuarei a limpar-lhe a casa e a engomar a roupa, e não quero um único cêntimo pelo trabalho.
- Não sei como agradecer, eu...
Ouve-se bater à porta, a mulher-a-dias sai da divisão, ouve-se umas vozes, e ela regressa, seguida por seis pessoas, entre elas, uma mulher de mini-saia e óculos de aros redondos.
- A que devo a honra?
- Eu primeiro - adianta-se um deles, estendendo-lhe a mão - represento o Banco onde o senhor tem a hipoteca da casa...
- Mas eu não falhei nenhuma mensalidade!
- Claro que não, acontece que nós soubemos que o senhor acaba de entrar em regime de lay-off, e em virtude disso o Banco decidiu reduzir em trinta e cinco por cento o valor que o senhor nos paga todos os meses, e isto por tempo indeterminado e sem custos adicionais.
- Agora eu - exclama a mulher, pendurando-se no seu pescoço e pespegando um beijo húmido na face - eu sou PR da Companhia da Electricidade e venho anunciar que faremos o mesmo quanto à sua conta de luz, do total de electricidade que o senhor consumir, só nos terá pagar a mesma percentagem que receberá pelo seu trabalho. E posso adiantar, porque já conversamos de antemão, que essa oferta é extensiva, pela palavra destas pessoas, ao que o senhor gasta em água, gás e televisão. Para nós, cada pessoa conta, e existimos para nos apoiarmos uns aos outros.
- Permita que lhe diga - adiantou um dos visados pela PR - que o seu caso foi discutido nas mais altas esferas. O nosso Ministro da Indústria e Energia estava numa conferência em Bruxelas, e houve um seu par que lhe disse, na sua própria língua, claro - "Não sei se o informaram, mas há um caso premente a ser solucionado no seu país, o de um homem chamado António Manuel Souto Brandão, morador no Casal da Rochinha, Alenquer, que se viu de súbito privado de meios para suprir as suas despesas e encargos mensais. É urgente que se faça alguma coisa". É claro que o ministro ficou muito indignado por não o terem posto ao corrente, e iniciou os contactos que nos trouxeram aqui.
- Finalmente eu - adiantou-se um dos elementos do grupo - eu represento a cadeia de supermercados Arquipélago, e decidimos oferecer-lhe, durante todo o tempo que o senhor precisar, vales de compras que cobrirão metade das suas necessidades mensais em mercearias e bens de primeira necessidade. É uma oferta desinteressada, e o senhor não se deve preocupar em retribuir ou compensar de nenhuma forma.
- Isto é incrível, não sei o que dizer, quase me vem lágrimas aos olhos...
- Quase me vem lágrimas aos olhos!! São essas as palavras do texto, não é suposto estares já a chorar. O que é que se passa contigo, estás com alguma síndroma pré-menstrual?
- Não, mister - respondeu o actor que fazia de António Brandão, tentado olhar o seu interlocutor, com a luz dos projectores a baterem-lhe na cara.
- Então modera esta parte. Só quero que pareças ligeiramente surpreendido e emocionado. Guarda o teu virtuosismo dramático para a cena seguinte, quando acordares do sonho e vires, diante de ti, estas pessoas todas na tua casa para te arrancarem a pele. Aí podes gritar, chorar e correr à vontade enquanto elas te perseguem.
«E tu, Ana, condescendi que usasses mini-saia, porque tens umas pernas bonitas, mas não estás a fazer de Betty-Boop, não te quero a rebolar as ancas e a humedecer os lábios com a língua, és uma relações públicas, e não estou a falar das mulheres que andam no engate.
«E agora, por favor, alguém me acorde o figurante que faz o Brandão adormecido. Pagaram-lhe para fingir que dormia e sonhava, e o traste ressona como uma hiena asmática!!».


Terça-feira, 7 de Abril de 2009

A paixão da aventura

Quinta-feira, 2 de Abril de 2009

Lançamento do 3º número da "Nova Águia"

Terça-feira, 31 de Março de 2009

O maroto do Pomar!


Na galeria de retratos do Museu da Presidência da República, está um retrato que todos acham desenquadrado. Trata-se do retrato de Mário Soares pintado por Júlio Pomar. Na sequência de uma dúzia e meia de retratos austeros, solenes, escuros, dos presidentes antecessores, surge este, geralmente qualificado de «pouco ortodoxo, inusitado, irreverente, exemplo de expressividade e modernidade, que retrata o verdadeiro Soares, descontraído e sem pose», etc.

Realmente ser-me-ia inesperado se eu não o conhecesse já, da comunicação social. Tinha-me parecido um tanto arrojado, mas não tinta atentado bem nos pormenores. Nunca tinha estado ao pé dele.
A obra de arte vista ao vivo parece que comunica melhor o que tem para dizer.
O que choca mais é a forma tosca da mão direita, que obviamente, está a gesticular, como quem argumenta. O braço esquerdo pareceu-me numa posição estranha, bizarra. Não se percebe como é que ele pode ter o braço naquela posição.

De repente, a luz. O dedo da mão esquerda, apontado para si próprio, tem uns traços curvos junto à ponta, a indicar oscilação, como na banda desenhada. «Olhe que não!; olhe que não!». O braço não é dele, é do Cunhal. Por isso o braço não parecia dele. Então reparamos que até a cor da manga é diferente. Aquele retrato conta um momento, talvez o momento mais famoso do PREC, quando os dois líderes dos dois partidos mais influentes em 75 se confrontaram em frente às câmaras da RTP.

Grande malandro, o Pomar! Quase que enganou toda a gente. Eu, pelo menos, nunca ouvi sugerir esta leitura.

Então, tornamo-nos desconfiados. O que mais terá o Pomar escondido na tela? Certamente que aquele rosa por cima da mão direita não é para chamar troca-tintas ao seu amigo, mas a cor ali muda, por efeito do gesto da mão, dum sombrio e nocturno azul, que tudo envolve, para um festivo e diurno rosa, como zona limpa de uma superfície embaciada por uma longa noite.
O Soares está numa cadeira com francas conotações de poder, por causa dos dois leões nos braços da cadeira. Está inclinado para a sua esquerda, para onde a gravata também aponta. O leão do braço direito, em traços mais conservadores que o leão do braço esquerdo, parece a cara de alguém. Quem? Esta, eu não quero arriscar. Pela cor do braço, podia ser o Cunhal; pela posição à direita, podia ser o Spínola. Aliás, o olho esquerdo do leão parece que tem um monóculo. Ou será uma leoa? Quem seria a leoa-braço direito de Soares? Parece evidente a resposta. Mas isso, só perguntando ao Pomar.

Segunda-feira, 30 de Março de 2009

Apresentação do livro Utopias Piratas da Deriva Editores


É já na próxima quinta-feira, dia 2 de Abril, às 22 horas, na Livraria Gato Vadio, na Rua do Rosário, 281, na cidade do Porto, que se realiza o lançamento e apresentação da tradução para português (em Portugal) do livro Utopias Piratas de Peter Lamborn Wilson (também conhecido por Hakim Bey).

Na ocasião haverá uma conversa com Miguel Mendonça, que traduziu e propôs à Deriva a publicação de Utopias Piratas de Peter Lamborn Wilson, e António Alves da Silva. Pretende-se com esta iniciativa proporcioar um debate informal sobre a pirataria moura do século XVII e o papel muito particular da República de Salé que, diga-se, está muito pouco estudada pela historiografia oficial.

http://derivadaspalavras.blogspot.com/

O autor, neste seu recente trabalho, foca a acção corsária da independente República pirata de Salé, durante o século XVII. Corsários, sufis, pederastas, mulheres mouras «irresistíveis», escravos, aventureiros, rebeldes irlandeses, judeus hereges, espiões britânicos, heróis populares da classe trabalhadora e até um pirata mouro em Nova Iorque, emprestam a este livro um ambiente livre constituído por comunidades insurrectas nunca verdadeiramente dominadas e portadoras de uma praxis de resistência social que abalou seriamente os estados europeus.

Peter Lamborn Wilson, nascido em 1945 e investigador e poeta norte-americano com vasta obra editada, escreveu «Sacred Drift: Essays on The Margins of Islam», na City Lights e «Scandal: in Islamic Heresy», Autonomedia

fui a flor



fui a flor a quem retiraste as pétalas. uma a uma. inalaste o meu perfume a cada puxão de pele. mas tiraste-mo porque to dei. fui tua cúmplice no desnudar da minha vida. sem saber o que de mim iria restar. hoje, sou um caule em busca de uma nova primavera. hoje, já sem pétalas, sinto-me ainda tua. foram as tuas mãos que me despiram. aguardo que regressem. que tragam consigo um manto para me cobrir os ombros. assim me vou alimentado de saudades. assim me vou recompondo de verdades. assim te espero... até um dia voltar a ser feliz.

.


Foto:innaryba

Terça-feira, 24 de Março de 2009

A PRISÃO DO ÉTICO


Encontrei o meu livro A PRISÃO DO ÉTICO na Fnac do Chiado.

Comprar aqui.

Sábado, 21 de Março de 2009

MINHA TERRA AINDA É LINDA

Palavra opaladina que em verso deixo,
Neste dia consagrado à poesia...
Nesta tarde onde te ofereço rosto novo...
Neste escrito onde me afirmo, tu nesse grito
Palavra do campo, da cidade, da aldeia em sitonia
Minha terra Santo Estêvão que abençoa...
Noutra estrofe outra miragem
Qual passagem que nos vai consumindo...
Momentos que não posso esquecer
Por aqui, por ali, rasgo o teu nome
Guardo na alma de criança o meu viver.

Foi aqui que meus passos dei, caminhei
Foi aqui que esculpi a minha poesia, então
Pedaços do meu ser, do coração
Agora tenho aqui, nestes braços o fulgor
Também a música co acordeão...
A seiva do que chamas amor, derramado
Santo Estêvão meu santo poderoso
Da saudade aquela miragem e o amor dedicado!

Abril, feito tempo de liberdade
Terra amiga, da casa do povo à sociedade
Estes passos de novo remodela a Igreja
Onde tocam os sinos e o altar que se beija
O amor que eleva corações e a morte!
A minha e a tua sorte...
Minha terra tem riqueza, poetas com poesia
Gente boa, acolhedora, movimentos
Imensa sintonia quando se param os ventos
Santo Estêvão meu fado, saudade que não finda...
Deixo-te meus pedaços dos meus pensamentos
Aldeia amiga, à beira-mar tu és linda.


Olhão, 21 de Março de 2009 - 20:28h
Jorge Ferro Rosa in Caderno da Alma

Quinta-feira, 5 de Março de 2009


na boca...
o silêncio
no corpo...
o desejo
o pecado...
subsiste,
irresistivel,
como o poema à flor do fogo!...

.
Foto:Szara Reneta

Quarta-feira, 25 de Fevereiro de 2009

Não acordes antes do café da manhã ou destapas-me a vergonha



são quatro e meia da manhã e eu ainda acordada a ver-te dormir. a tua mão uma concha na minha perna. a minha perna apenas a minha perna. jantamos qualquer coisa que puseste no forno, delicioso como sempre. depois fomos ao cinema ver um filme da última sessão que tinha estreado. não me lembro já do nome. só de olhar para ti ao meu lado, tu a sorrires à pressa para voltares ao enredo, e eu a trincar com força o meu lábio inferior para ter a certeza que tu és verdade. depois o caminho para casa, uma música antiga no rádio, eu com vontade de dizer que também sofro de um problema de expressão, vários até, que a música é para ti ou como se fosse. sobre mim. que te amo e que não sei porquê a minha língua não consegue articular as palavras. tu sereno ao lado, os teus olhos azuis a iluminar a escuridão. (aposto que não sabes por que te chamo pirilampo) a casa que começa a aparecer ao fundo. mais tarde o quarto, tu a despires-te, eu a fingir que faço o mesmo, mas antes a tentar decorar todos os sinais das tuas costas. a cor exacta de cada centímetro da tua pele. depois o pijama aos quadrados brancos e azuis a cobrir-te o corpo. um rasgão na manga. e tu na minha cama. tu na minha cama. e eu sem saber o que fazer da música que me enche a cabeça e das flores que me querem nascer da boca mas não conseguem. muito menos da vontade de te decorar. de modo que continuo acordada às quatro e meia da manhã, com as minhas mãos no teu rosto na breve esperança de que estejas a sonhar comigo a contar-te do muito amor que te tenho.
[Também aqui]

Domingo, 22 de Fevereiro de 2009




Neste breve silêncio
de interminável confusão
procuro-te.
Neste espaço minúsculo
que chamam Terra, não te encontro.
Não te sei procurar em lado nenhum.
Não te sei...
Mas sabia de ti quando
alegre sorria.
Sabia de mim quando
de ti sabia.
Para que sítio distante foste?
Perdi-me na confusão deste minúsculo espaço
que me acolhe
(desesperadamente)

Fujo.

Fito aquele horizonte que te pertence...
cheio de sonhos perdidos...

Ai! Vejo...

(...És tu aí nesse horizonte inatingível?)

Sabia de ti quando eras eu.
Não te sei
mais.

Liliana

Quinta-feira, 19 de Fevereiro de 2009

ChAOs 4


Quatro peças, quatro pedaços de caos, espalhados pelos domingos.
Uma história por dia e por espaço, uma ligação humana ou não
Encontro e desencontro pela cidade fora.

Para mais informações ou reservas ligue 918626345 ou contacte-nos no mail: teatroensaio@gmail.com
Apareça e divulgue

Quarta-feira, 18 de Fevereiro de 2009

Olá a todos!
Está a chegar o Entrudanças!
http://www.cm-castroverde.pt/ad2006/adminsc1/app/castroverde/uploads/progr.pdf
Entre concertos, Oficinas, Bailes e Leituras, haverá também venda de Artesanato, na Praça Zeca Afonso.
Hobby by AV, de Andreia Vitorino (www.hobbybyav.blogspot.com) tem orgulho em poder estar presente e deixa o convite a uma visita!
De sábado, 21 a Segunda, 23, desfrutem e ofereçam alegria e cor às vossas amigas!
Acessórios ousados e diferentes, com um toque de beleza!
Simplesmente femininos!

Contactos: Andreia Vitorino - andreia.vitorino@hotmail.com
Carla Veríssimo - cavverissimo@gmail.com

Hobby by AV agradece a divulgação alargada desta informação.

Terça-feira, 17 de Fevereiro de 2009

John Updike, um poema de Tiago Nené

JOHN UPDIKE

.

Morreu sem um critério rigoroso.

Não se poderá dizer que tenha sido a lei da vida

ou a lei da morte

ou uma derradeira e infinita

composição da urgência.

Hoje morreu-lhe o corpo, morreu porque assim

disseram os médicos, porque assim

disse o seu pulso frágil como o equilíbrio

da terra, e porque agora é o tempo que o respira.

Hoje morreu-lhe o corpo, repito em voz alta.

E isso é tudo o que,

da perspectiva da nossa memória incompleta,

precisamos de saber.

.

.

Tiago Nené

(in Instalação, obra a ser lançada em 2009)

Domingo, 15 de Fevereiro de 2009

encantada estou...


encantada estou por estas brasas que a mim te trazem num veleiro de velas suadas de mar. fevereiro ficou ancorado no inverno e pelas mãos da primavera chegas também. estou por ti rodeada, de beijos de sal e de abraços enrolados como meigas ondas. a minha alma flutua na tua e os nossos corpos terrenos mesclam-se em segredos de amantes.segredas-me ao ouvidos as cores do paraíso. no teu peito uma papoila rubra que por nós floresce. dois! sãos dois os corações que palpitam, num amor em uníssono que o faz soar um só. e a papoila rubra cumpre-o quando entre nós se esmaga sem morrer.
.

Domingo, 8 de Fevereiro de 2009

VERSO IMPERATIVO


Briton Riviere

Nenhuma flor nasceu à boca
antes do emaranhar das asas,
singulares brancas borboletas
enroscadas aos lábios: você sorri!

Facho feito foco, luz ímpar,
selvagem intenso peito abrigo,
teus vales sigilosos vieram!

Eu devia tapar os olhos
e silenciar na redoma!

Mas natureza corrompida,
sou pecado somado e escândalo
fluída sensação de outra Era!

Foge minha fúria ao ver-te
pois que olhos são signos...
Imperativo é verter em mim
teu sorriso de domar as feras!

Terça-feira, 3 de Fevereiro de 2009

Samizdat - divulgação

Eis uma revista on-line de literatura, com bastante qualidade.

O seu nome é Samizdat e vai no 13º número. Clicando AQUI, pode-se baixá-los todos.






Em associação, desenvolve uma Oficina de escrita de contos.

Segunda-feira, 26 de Janeiro de 2009

Um livro - Berlim.


Eis um livro que eu tive a sorte de encontrar este fim de semana numa feira de livros usados em Lisboa, pois é uma obra muito útil e interessante para se compreender o período 1919-1933, essencial para tudo o aconteceu depois no século XX, e poder conhecer com mais rigor a vida e os hábitos da população Berlinense numa época em que Berlim era uma cidade extravagante, tendo contribuido muito para a cultura, a ciência e a política mundial do século passado.
Penso que é um livro especial para quem gosta de história, política, cultura, e já agora, para quem gosta de Berlim. (edições terramar)

DAQUILO PARA O QUAL

Senti vontade de escrever, como na maioria das vezes acontece, mas algo parece que falta! Falta-me sempre alguma coisa entre os princípios substanciais, as formas da existência por dimensões que ficam por sintetizar.
As evidências são sempre objecto de reflexão, a expressão dinâmica gera um movimento especial onde o indizível se executa. Desfazem-se posturas, criam-se outras e a obscuridade da existência é uma postura.
Momento sintético que vislumbra outra condição, esta medida densa do pulsar existencial onde tomo de ti uma hipótese! Projecto-me numa tensão rumo ao infinito, uma busca incessante, apesar de ter encontrado aquilo que me parece razoável, pelas mais diversas vertentes, comungando assim do sentimento universal. Resta apenas este lugar onde tudo incide apesar das formas estranhas de abordagem, dos modos como a consciência concebe o que se lança… começo aqui a interioridade do irreflectido, em viagem ao absoluto daquilo para o qual não tens palavras.

Castro Marim, 26 de Janeiro de 2009 – 14:03h
Jorge Ferro Rosa, in Caderno da Alma

Sexta-feira, 23 de Janeiro de 2009

Derivas de Fevereiro - 27 e 28 de Fev. - Biblioteca Almeida Garrett


Clique na imagem para aumentar

Quinta-feira, 22 de Janeiro de 2009

EM PROCESSAMENTO

Em processamento...
Ficou aquela palavra
As outras que não escrevi
Os agradecimentos que esqueci
Em processamento ficou sim
Tudo o que pensei e não vivi.

Tavira, 22 de Janeiro de 2009 - 22:15h
Jorge Ferro Rosa in Caderno da Alma

Paredes infinitas

À noite deitava-se sempre de barriga para baixo. Tinha as paredes do quarto pintadas com cores dadas por alguém. Um poster atrás da porta que ninguém deu, poucos viram e muitos procuravam. No chão coisas apoiadas em pernas ou também deitadas de barriga para baixo. No tecto a certeza que tudo aquilo era visivel mesmo sem a luz do Sol. E tantas coisas a preencher o resto. Tantas coisas dela, que desistiu da ideia de comprar prateleiras ou armários. E não foi por recear não haverem suficientes, foi porque não queria que aquelas coisas ganhassem pó. Aquelas tantas coisas que quando de noite se deitava de barriga para baixo, voavam pela janela e ajudavam a esticar os sonhos até ao dia seguinte. Até ao momento em que lhe chegava outra cor para pintar mais um pedaço de parede.

Terça-feira, 20 de Janeiro de 2009

Algumas coisas













Fio assimétrico



Olho no olho

Olho na tela

Que não revela

A intensidade

Na integridade

De suposta interação

Escorrega por cabos

Mouses

Teclas viciadas

Atadas

Em qualquer persona

Frágil construção.


By Casti


Imagem: jornaldabatalha

Segunda-feira, 19 de Janeiro de 2009

A Naifa - Todo o Amor do Mundo - ao vivo




Paz eterna à alma do Grande e Eterno Génio Aguardela!

Deixo-vos este link para algo que escrevi em Novembro do ano passado e que inclui uma crónica com um concerto d'A Naifa em 19-04-2008, o meu último antes de sair de Portugal, para onde talvez não volte a ir viver...


A reinvenção da música tradicional portuguesa - Manuel Marques


...se quiserem deixar lá um comentário que seja...

Segunda-feira, 12 de Janeiro de 2009

Um daqueles dias

- Hoje estás com muito mau aspecto, nem sei como é que tiveste coragem de sair à rua. Pareces um esfolado, todo coberto de sangue. E o que é isso no alto da cabeça? A raiz dos cabelos?
- Não me digas nada, porque eu hoje, acordei virado do avesso!


(in Estrada de Santiago)

Os mortos

Não há mortos que morram tanto como os nossos.
Se um daqueles que nos pertence morre sete
ou setenta vezes no coração,
de quem apenas ouvimos falar morre uma vez, na sua data,
e os que sempre viveram longe
morrem-nos metade ou um oitavo. E metadede
uma morte é quase nada, são casas
decimais no sofrimento. (Que digo? Milésimas, milésimas!)


(Gonçalo M. Tavares, in "1"/ Relógio D'Água Editores)

Domingo, 11 de Janeiro de 2009

Luminescências

eruptio
tecidos, linhas de algodão e acrílico sobre tela
160x160 cm
2008